quinta-feira, 14 de outubro de 2010



Sou o conjunto de todas as cores, de todas as dores.
Hora sou Sol, hora sou Lua.
As vezes sou menina pura.
Outras vezes mulher em fúria.
Sou o corpo que aconchega, sou as mãos que procura.
Sou o Todo sem ser coisa alguma.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010




A cortina que separa as minhas canções das tuas por um momento esvoaçou ao vento.
Então vi que a luz da tua manhã estava repleta das canções mudas que eu jamais cantei...
Pensei que as aprenderia aos teus pés, e sentei-me, em silêncio...

domingo, 10 de outubro de 2010



E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.




AÍ ESTÁ ELE, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas.
E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro:
a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é um mistério vivo que não se indaga.
A mulher hesita porque vai entrar.
A mulher não está sabendo, mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver.

Ela está sozinha. O mar não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar.

Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir.
É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.



Words Get In The Way

I realize you're seeing someone new
I don't believe she knows you like I do
Your temperamental moody side,
the one you always try to hide from me.

But I know when you have something on your mind.
You've been trying to tell me for the longest time.
And before you break my heart in two,
There's something I've been trying to say to you.

But the words get in the way
There's so much I want to say
But it's locked deep inside
And if you look in my eyes,
We might fall in love again
I won't even start to cry,
And before we say goodbye
I tried to say "I love you"
But the words get in the way

Your heart has always been an open door
But baby I don't even know you anymore.
And despite the fact it's hurting me,
I know the time has come to set you free.

I'm trying to say "I love you"
But the words get in the way.

domingo, 26 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010



Não posso vê-la com os olhos do Ocidente, e sim com meu sangue meio-mouro em ebulição herdado na Ibéria.

Os seus olhos negros arábicos hipnotizantes, ora instigando malícia, ora agitação, ora maturidade, ora viagem, traz galáxia de estrelas que testemunham o deserto rico de vidas e acontecimentos.

Sinto-me seu Senhor, seu Emir, protegendo-a das tribos nômades inimigas que ficam à espreita tencionando raptar as jóias desatentas.

Habita minha tenda, meio palácio, meio santuário, com tapetes a lhe acariciar os pés e almofadas por toda parte para aconchegar seu corpo escravo do meu amor, do meu ardor, do meu suor e dos meus caprichos.

Ajoelhada lava e enxuga meus pés com delicadeza num gesto de submissão, exalta meus feitos noutro gesto de gratidão, para logo mais avançar com as garras ferinas como uma louca para ser beijada nos seios brutalmente delicados; mas a batalha não está finda: ponho-me com a lança quente do guerreiro árabe que há em mim, a ferir-lhe freneticamente as entranhas e marcar-lhes as ancas e exausta, aos pedaços, geme e pede novos doces maus tratos

Que suaves canções trazem hoje os ventos?

Que dança fazem hoje as dunas?

Que perfume invade hoje minha tenda?

Hasteio minha bandeira, demarco meu território para que possa se sentir amparada, longe dos beduínos.

Viver este mistério é sentir a brisa do Mar Vermelho penetrar as narinas ainda que se esteja no meio da península; é saber a direção de Meca e orar; é ver as riquezas que brotam do preto do petróleo, do preto dos seus olhos e finalmente do preto da meia-lua; é vagar pelos caminhos que mudam ao sabor dos ventos persistentes...

Vem dançar para mim; vem me agradar; vem acabar de vez com o que resta do meu lado Ocidente tão bárbaro e tão desassossegado; vem mostrar-me seu ventre.